MÚSICA
Stellastarr*
28.AGO.2003
Alexandre Sigrist






Nessa recente, e já quase saturada, onda de bandas nova-iorquinas, eis que surge um milagre: uma banda sem influências de Stooges, Velvet ou Television. Sequer há um resquício do som do Sonic Youth na banda. Os integrantes usam cabelos (mais ou menos) curtos e tomam banho todos os dias. O som apresenta releituras, sim, mas da new wave, do brit circa início dos 90 e uma grande pitada de Pixies.
Trata-se do Stellastarr* (o asterisco faz parte do nome da banda, então desencana de ir procurar qualquer nota lá embaixo da página).

A própria maneira como a banda começou nessa "coisa de música" foi sui generis. O quarteto começou a se formar no instituto de arte Pratt, no Brooklyn, onde três quartos da banda estudaram. Shawn Christensen, vocal e guitarra, era de Nova Iorque mesmo e estudava ilustração e pintura. Apenas por curiosidade, comprou uma guitarra acústica e começou a praticar com um libreto com músicas de Bob Dylan. Amanda Tannen, baixo e vocal, nascida na Virgínia e criada em Nova Jersey, era tocadora de cello, isso até entrar para a Ghistor, nome da primeira banda do 'pessoal'. Ghistors era Shawn, Amanda, um outro guitarrista e um frontman e mais Arthur, do mesmo curso de Amanda. Arthur Kremer -- tecladista/baterista, judeu lituano emigrado para a Pensilvânia -- estudava design gráfico e publicidade e jamais pensou em sua bateria como principal atividade profissional. Até 2000, ano em que deixaram a Ghistor, que era meio grunge, por ocasião da formatura. Após o final da escola, resolveram se encontrar para relembrar como era tocar juntos, e então conheceram Michael -- Michael Jurin, guitarrista e vocalista --, totalmente por acaso: Arthur voltara ao antigo quarto, apenas para ver se tinha chegado correspondência em seu nome, e então percebeu que havia um guitarrista como novo morador. Michael, que era o líder da banda Charlotte's Funeral, foi imediatamente convocado para a nova banda, que fez seu primeiro show no Verão nova-iorquino de 2000.

O nome Stellastarr*, desse jeito mesmo, com dois erres e um asterisco no final, é uma adaptação do nome de uma menina que estudou junto com Christensen. Porém, o vocalista e líder da banda só tomou conhecimento da garota após ler nos jornais que o namorado da pobre donzela havia cometido suicídio. Várias vezes descritos como "um jeito punk da new wave encontrando os Pixies", o próprio Shawn explica o som do Stellastarr*. "Acho que fazemos um som meio new wave, mas não no sentido de usar teclados ou sintetizadores. Todos na banda éramos crianças na década de 80, então é possível que o som daquela época tenha ficado na nossa cabeça e nos influencie subconscientemente".
Para a NME, o Stellastarr* é "um sonho de banda de rock'n'roll. "Somwhere Across Forever" pode ser o lançamento do ano, um concerto que divide igualmente Pixies, Echo & the Bunnymen e The Cure, capitaneado pelo clone de Jeff Bucley chamado Shawn Christensen".

Desovado no final de 2002, o ep-single "Somewhere Across Forever", com três músicas, foi lançado mais com o intuito de haver algum registro disponível da banda. O selo, Tiswas, preferiu não lançar de cara um full lenght. Com um acordo entre a Tiswas e a RCA, o cast do selo passou a ter uma melhor distribuição, e é por isso que "Stellastarr*", disco homônimo, deve chegar às prateleiras em breve. A princípio, alguns magazines chegaram a anunciar a bolacha para 15 de setembro, mas o site oficial, e algumas weblojas, só o garantem a partir do dia 23. O primeiro single a ser retirado do disco, "Jenny", deveria ter sido lançado em 18 de agosto, mas...
Talvez os integrantes estejam ocupados demais. Michael estuda numa escola de cinema. Arthur e Shawn, atores durante a faculdade, mudaram de profissão. Atualmente, Shawn é pintor e consegue pagar as contas se vender um quadro ao mês. Arthur é responsável por todo o trabalho gráfico -- de logos às cores ao design final -- da banda e trabalha com isso em outros lugares também. Amanda, por sua vez, é diretora de arte numa agência de publicidade.
Cool.





Alexandre Sigrist , ou simplesmente Sig, tá meio cansado de nu-indie