Champanhota Supernova
04.MAR.2003
Abrahão Suede






TERNOS E FARDAS

- Thiago ficou tão bonito de terno. Ele deveria ter usado mais vezes.
- Ou morrido mais...


"Transubstanciação", Lourenço Mutarelli



Você sabe quanto custa um terno? Quanto pagaria por um? O uniforme dos imortais da Academia Brasileira de Letras -- muito mais um fardamento que um termo, é verdade -- não sai por menos de R$ 45 mil.
A vestimenta é impecavelmente concebida por Francesco Rosalba, um costureiro italiano de 78 anos que atende no Largo São Francisco, Centro do Rio. Feito a partir de casimira verde importada da Inglaterra, o fardão, que custa o mesmo que um carro de luxo, tem 3.200 gramas de ouro e leva não menos que dois meses para ficar pronto.
No Brasil desde 1938, quando tinha 14 anos, Rosalba passou a confeccionar os ternos quando um cliente, o escritor Marcos Vilaça, tornou-se imortal e encomendou com ele o fardão. Hoje, Francesco incluiu entre os notáveis de sua clientela nomes como Roberto Marinho e José Sarney.
Mesmo tão dispendioso, raramente o fardão castiga os bolsos de quem o usa. A praxe recomenda que o Governo do Estado do escritor, ou em alguns casos sua cidade natal, arque com o custo. Cândido Mendes de Almeida, um muquirana reconhecido, foi um dos poucos que pagaram o terno com dinheiro do próprio bolso.
Àqueles que pensam em fugir do protocolo, vale lembrar o ocorrido ao paraibano Ariano Suassuna. Em 1985, ao tomar posse, Ariano preferiu um modelo preto, de tecido leve, confeccionado por costureiras do Recife. Foi chamado de jeca por um famoso colunista social. O artigo é ostentado por Rosalbo em um recorte de jornal, ao lado de diplomas e fotos com notáveis, nas paredes de seu ateliê.



LAMARTINE BABO, o Lalá, Rei do Carnaval - emplacou várias marchinhas em premiações por anos seguidos -, era também um trocadilhista sagaz. Não obstante, ganhou um prêmio que talvez não lhe tenha sido de muito agrado: o de Pior Trocadilho de 1941.
Entrevistado sobre quais seriam as aspirações de um artista, Lalá não perdoou: "a aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um... Uns desejam ir ao céu... já que atuam no éter... Outros 'evaporam-se' nesse mesmo éter... Os pensamentos da classe são éter... ó... gênios..."


DVERSÃO foi o nome da festa realizada no Rio -- mais precisamente na Spin, Teixeira de Melo, 21, Ipanema -- na primeira noite de Carnaval, sexta-feira, tradicionalmente reservada aos foliões que gostam de se travestir de moçoilas.
Gordinho e Zé, a dupla de DJs mais indie do Oeste, se juntaram a Fábio Maia e tocaram covers e mais covers -- as mais loucas e originais possíveis -- nesta que foi uma autêntica folia rock em pleno início de Carnaval.


JARVIS COCKER não apenas parece esquisitão. Ele é. Isso não o impede de cometer algumas esquisitices que poderiam ser assinadas com orgulho por cidadãos pacatos e normais. No British Awards de 1996, Jarvis invadiu o palco bem na hora em que Michael Jackson perpetrava mais uma de suas (dele, Jacko) canções de ninar meninos inocentes. Jarvis acabou passando a noite na cadeia, mas fez história.
Sério.


PAULISTAS me garantem que o garoto Dú Ramos está com tudo e não está prosa. Após mais uma 'rapidinha' em Londres -- onde pôde acompanhar Eugene Kelly abrindo o show do Teenage Fanclub --, o rapaz volta cheio de planos. Além do lançamento do clássico moderno "Jar Fair & Teenage Fanclub", a ser lançado pelo seu selo, a Slag, Dú também anda prometendo trazer os escoceses do fã-clube adolescente pra tocar em terras tupiniquins. Oxalá.


PERGUNTINHA PADRÃO para todo produtor de discos é a famosa "qual disco você gostaria de ter produzido?"
Para um técnico de futebol, por analogia, a pergunta ficaria assim: "qual time ou seleção você gostaria de ter treinado?"
Curiosamente, foi raras vezes feita.



SHU!





Abrahão Suede não tem email. Essa coluna, datilografada, chegou por carta em um envelope sem remetente.